Diante da recente escalada do dólar, empresários do setor do varejo e serviços buscam diferentes estratégias a fim de não repassar a alta de custos ao cliente. A aproximação de importantes datas comemorativas eleva a urgência por um estoque mais adequado.

“Nos últimos dois meses, houve uma alta de 10% no câmbio. Os efeitos reais desse movimento sobre o desempenho do varejo ainda é incerto. Porém, aquilo que podemos afirmar é que o cliente final está com renda restrita e, portanto, não aceitará elevação nos preços”, afirmou o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Guilherme Dietze.

Segundo o economista, uma das alternativas dos lojistas será justamente “abrir mão” da margem de lucro e não perder o giro de mercadorias que “não podem ficar encalhadas” no estoque, sobretudo com a chegada de datas comemorativas com alto apelo promocional. “A princípio, o segmento alimentício e também de eletroeletrônicos devem sentir mais os impactos da valorização da moeda americana”, declarou o economista, lembrando que a liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pode dar fôlego para essas categorias de produtos.

De acordo com um balanço realizado pela entidade, em agosto em relação ao mês anterior, houve alta de 1,3 ponto percentual na percepção dos lojistas que consideram seus estoques excessivos – chegando a 28,1% dos comerciantes. Ainda segundo o levantamento divulgado, entre as empresas de menor porte, 28,4% estão com estoque excessivo; enquanto que grandes empresas registram 16,7% de insatisfação com o armazenamento.

Nesse sentido, um dos exemplos de negócios com esse “desafio” pela frente é o Grupo PLL – especializado em serviços de reparo e venda de celulares. “Esse cenário de oscilação constante do dólar tem impactado diretamente a composição de estoque, ainda mais porque resolvemos diminuir a margem de lucro do que repassar a alta para o preço final. Nosso custo total aumentou cerca de 3% desde a alta da moeda americana”, argumentou o sócio-diretor da empresa, Pablo Linhares.

O executivo conta que reformulou parte da carteira de fornecedores, inserindo um número maior de parceiros “nacionalizados”, considerando que existe certa margem de negociação entre os players com o volume de peças e acessórios muito elevado. “No entanto, não podemos comprar um estoque muito grande de peças quando o dólar está baixo, uma vez que esses componentes passam a ser ultrapassados com o tempo”, complementou ele, lembrando que a previsão de faturamento do negócio para este ano é de R$ 100 milhões.

Nessa perspectiva, o sócio-diretor da consultoria GS&Consult, Jean Rebetez, diz ser aconselhável que os empresários considerem essas oscilações do câmbio na hora de compor o preço do produto – a fim de não diminuir tanto os ganhos sobre as vendas. “Os pequenos e médios varejistas muitas vezes não têm condição de usar ferramentas como o hedge para fixar um valor de câmbio para importação”, lembrou Rebetez.

Em linha com o especialista, o sócio-proprietário da rede de restaurantes especializados em carnes nobres uruguaias Grupo Monjardim, Leonardo Marques, diz que as consequências negativas ainda devem ser sentidas nas próximas semanas. “O crescimento foi de R$ 15 reais por quilo da costela uruguaia. Consideramos como um impacto negativo dado que importamos até 12 toneladas dessa carne mensalmente”, argumentou Marques.

Para o executivo, porém, a recente disparada da moeda americana deve “esfriar” até o final do ano com o “avanço” de reformas macroeconômicas em tramitação no Congresso Nacional e também a guerra comercial entre China e Estados Unidos menos intensa. “Além disso, vamos trabalhar mais para a empresa estar preparada em termos de estrutura financeira para aguentar essas oscilações”, relatou ele.

Matéria original publicada em: DCI

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